Restauro foi longe demais

Nesta Casa do século XVI, situada na Viela da Parenta, em Viana do Castelo, residiu Pêro Galego, um dos grandes mareantes de Viana do Castelo. É conhecida por Casa de Pêro Galego ou da Caravela, por ostentar uma caravela, lavrada em granito, na parede exterior da moradia.
Aparentemente, a caravela só precisava de uma “limpeza“, mas foi submetida, há não muito tempo, a um restauro (inacabado) que parece ter sido um pouco “excessivo”, e o resultado não foi o melhor.

"...Moço-fidalgo da casa real, nasceu em Viana, conjectura-se que na primeira década do século XVI, e está referenciado na História como um dos mais célebres aventureiros do reinado de D. João III. Combateu em África, ganhando fama de corajoso e valente. Regressou, depois, à sua cidade, onde residiu, no casco medieval, na actual Viela da Parenta, onde a sua casa continua a ser atracção turística. Essa habitação ostenta uma caravela, lavrada em granito, no topo da junção das duas portas, indicativo de que o seu proprietário era homem do mar. A casa ainda tem sinais estilísticos do século XVI. Impetuoso e possuído por uma premente sede de aventuras, recrutou 30 jovens vianenses e seduziu-os para o acompanharem em aventuras marítimas. Fretou, então, um barco a um armador da cidade e saiu sub-repticiamente do porto de mar, aí por Abril de 1547. Circunvagando pelos mares da redondezas, onde, às vezes, apareciam piratas do Magrebe, encontrou uma galé argelina e atacou-a a canhão. Os adversários pouco tempo resistiram e Pêro Galego e os seus homens levaram a galé para o Algarve. Os ganhos obtidos com este ataque e a facilidade com que dominaram a galé adversária, animou Pêro Galego e os companheiros que, como corsários, passaram a espalhar o terror nas costas barbarescas do Norte de África..."

(Texto retirado do livro "Viana do Castelo 75 Décadas de História 75 Figuras Notáveis", edição da Câmara Municipal de Viana).


Comentários

  1. É como venho a dizer. Temos gente empenhada em destruir o património histórico de Viana e a substituí-lo por plástico e pladur.
    Outra irresponsabilidade em marcha decorre calmamente sob o nosso nariz na casa dos Alpuim na rua Manuel Espregueira. Também do séc. XVI!
    Surpreende-me que ninguém se escandalize.

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